A CONSTRUÇÃO DE CIDADES INTELIGENTES ?>
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A CONSTRUÇÃO DE CIDADES INTELIGENTES

Imagine uma cidade com alto nível de qualidade de vida, de conectividade e de compartilhamento. Agora pense que nessa concentração urbana todos os serviços públicos funcionam com eficiência e agilidade, todos os cidadãos são atendidos com prontidão e sobra tempo para a população exercer satisfatoriamente suas atividades profissionais e de lazer. Essa seria, diríamos, uma cidade inteligente.
O desenvolvimento de cidades inteligentes está relacionado ao uso das tecnologias de informação e de comunicação para a criação de ambientes inovadores, interativos, criativos e prósperos. São espaços públicos, onde há capacidade de aprendizagem, valores econômicos competitivos, democracia digital e um ambiente propício para a geração de novos negócios que atraem novos investidores, retém e estimulam os empreendedores locais.
Apesar de não ser uma unanimidade, o conceito converge para a necessidade de estimular três tipos de inteligência, a individual, a coletiva e a tecnológica. À medida que fomentamos a interconectividade, criamos ambientes compartilhados e saudáveis, aguçamos novos modelos de viver e de conviver e impulsionamos o desenvolvimento de cidades inteligentes.
A possibilidade de atrair e de reter jovens talentos para a cidade fica mais evidente e isso dá suporte para o desenvolvimento de uma área da economia que ganha maior expressão a cada dia, a economia criativa. Entramos então em uma espiral ascendente, gerando produtos e serviços de maior valor agregado e atingindo espaço privilegiado no cenário mundial.
Sim, a participação dos jovens é primordial para o nascimento de formas e estruturas mais inteligentes de convivência urbana. Exemplo é o interesse das novas gerações em investir em tecnologias móveis, que oferecem liberdade e flexibilidade. Outra tendência é a modificação de históricos padrões de posse e de propriedade. Nas regiões mais inovadoras dos Estados Unidos e da Europa a vontade de possuir um bem de alto valor, como a casa própria ou um automóvel, está se dissolvendo. A ordem é o compartilhamento de ativos, o uso partilhado de bens, um dos princípios da cidade inteligente. Percebemos movimentos assim na área de mobilidade, com carros e bicicletas. É um novo estilo de vida.
Nós, engenheiros, temos também um papel importante nessa transformação. A criação de novas tecnologias e, principalmente, a condição para que a população tenha acesso a esses avanços é uma contribuição da nossa área de atuação. Ao analisarmos as grandes mudanças e melhorias da sociedade contemporânea vamos detectar que boa parte desse progresso foi devido a criações da engenharia. O que falta agora é uma maior democratização dessas conquistas, já que hoje ¾ das pessoas ainda vivem em países em desenvolvimento.
No Brasil, o desafio chega acompanhado de gargalos nas áreas de infraestrutura e de energia. Ao passo que mais pessoas são beneficiadas com as novidades tecnológicas, maior é o conforto proporcionado, porém, de igual forma, cresce o consumo energia. A solução pode estar nas chamadas “smart grids”, rede elétrica que monitora, reúne e organiza informações essenciais para o acompanhamento da demanda, como o comportamento dos consumidores e fornecedores. Isso melhora a eficiência, a economia e a sustentabilidade da produção e distribuição de eletricidade. A implantação de tecnologia assim implica em uma reengenharia da indústria de serviços de energia elétrica.
Nosso país possui uma matriz energética fantástica, acima da curva se comparada à maioria das outras nações, mas que não deve ser baseada apenas no sistema hidroelétrico, de difícil expansão. Necessitamos de políticas fiscais e de incentivos para acelerar a instalação e o desenvolvimento de sistemas de micro geração de energia. Investimentos assim são fundamentais quando pensamos em veículos elétricos, em equipamentos movidos à energia limpa e em cidades inteligentes.
Esses são alguns aspectos de um caminho que necessariamente precisamos trilhar. Um passo foi dado em maio de 2014, com a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2014), quando discutimos como desenvolver cidades inteligentes, baseadas em seis eixos temáticos: energia; infraestrutura; eficiência; mobilidade urbana; tecnologias sociais e viver a cidade.
Acesse www.cici2014.com e veja como foi.

 

Artigo escrito pelo Prof. Luciano Carstens (Diretor do NCET da UP) e pelo Engenheiro Sandro Vieira (Presidente do IBQP).

Publicado originalmente na Revista do CREA-PR: http://revistacrea.crea-pr.org.br/a-construcao-de-cidades-inteligentes/

 

 

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