Custo do tabagismo impacta todos os bolsos

cinzeiro

O tabagismo acarreta carga econômica substancial para o fumante, para o sistema de saúde e para o meio ambiente. A maior parte dos custos diretos, como tratamentos para parar de fumar e o valor despendido na compra de tabaco podem ser calculados com base em estimativas e pesquisas. Outros custos indiretos, como tratamento médico de doenças relacionadas ao tabagismo, são mais difíceis de determinar. Para completar, perdas imensuráveis compõem esse montante; a de vidas.

As perdas globais por diminuição da produtividade, adoecimento e mortes prematuras estimadas em 2015 pela Sociedade Americana de Câncer são de pelo menos um trilhão de dólares por ano. No Brasil, a escassez de dados sobre a amplitude econômica do tabagismo limita estudos aprofundados sobre o tema.

O Ministério da Saúde calcula que 10,8% dos brasileiros seja fumante. Embora esse número venha caindo nos últimos anos, em valores absolutos equivale a uma parcela significativa da população, aproximadamente 25 milhões de pessoas. Com o objetivo de diminuir essa porcentagem, o governo gastou, entre 2013 e 2014, R$ 41 milhões na compra de medicamentos utilizados no tratamento contra o tabagismo.

Fazer um brasileiro parar de fumar pelo Programa de Cessação de Tabagismo do Sistema Único de Saúde (SUS) custa R$ 1.433, revelaram dados apurados pelo Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS). Mesmo assim, sai mais barato que tratar casos de câncer associados ao tabagismo em hospital público especializado.

Estima-se que um paciente com câncer de pulmão custe R$ 29 mil, de esôfago R$33 mil e laringe R$38 mil. Em média 1800 pessoas são internadas por mês no país em decorrência dessas doenças apenas nos hospitais do SUS. De abril de 2014 a março de 2015 foram 21.573 internamentos, segundo dados do DATASUS.

Além de ser a principal causa de vários tipos de câncer, o tabaco é um dos fatores de risco (ao lado de consumo abusivo de álcool, excesso de peso, sedentarismo e dieta pobre em nutrientes) associados às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como diabetes, colesterol, hipertensão arterial e depressão.

Segundo pesquisa realizada entre 2013 e 2014 pelo Ministério da Saúde e Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), as DCNT são responsáveis por mais de 72% das causas de mortes no Brasil. O levantamento revelou ainda que somente no Paraná 47% da população adulta, o correspondente a 3,84 milhões de pessoas, têm pelo menos uma DCNT.

Peso na carteira

Em 2008, quando foi realizada Pesquisa Especial de Tabagismo (PETab) pelo IBGE, o gasto médio mensal com cigarros industrializados por fumantes acima de 15 anos no Brasil já era de R$55,50. Na época, a cifra representava 4,8% a 7% da renda média. Vale ressaltar, no entanto, que na época o Free Box, por exemplo, custava em média R$3,30 e hoje custa por volta de R$6,50. Entre as razões para essa diferença de mais de 100% estão o aumento progressivo de impostos como IPI, PIS e Cofins, uma das estratégias do Governo Federal para diminuir o consumo de tabaco.

Hoje, um maço de cigarros custa em média R$ 6,50 no Brasil. Se um fumante consumir 10 cigarros por dia ao final de um ano terá gasto R$ 1187,06. O suficiente para comprar uma TV de LED de 40 polegadas da Philco, ou assistir, nas Olimpíadas de 2016, a uma das finais de boxe feminino e masculino, à final de handebol masculino, à final de vôlei feminino, a uma das finais de atletismo feminino e masculino e a uma das finais de taekwondo masculino e feminino.

Meio ambiente

A cada ano vão para o lixo 766 mil toneladas de filtros de cigarro, que também é o item mais coletado na limpeza de praias ao redor do mundo. O descarte indevido de pontas de cigarro é uma das principais causas de incêndios florestais.

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Os danos causados pelas plantações de tabaco são um capítulo à parte. Além do uso massivo de pesticidas, reguladores de crescimento e fertilizantes químicos, esse tipo de cultivo exaure nutrientes do solo, incluindo potássio, nitrogênio e fósforo. Como resultado, em regiões de baixa e média renda, é comum a derrubada de florestas para que a área, rica em nutrientes, receba a nova safra de tabaco. No documentário Tabaco – As folhas da incerteza é possível conhecer melhor a realidade de algumas famílias brasileiras que sobrevivem do cultivo da planta.

A madeira proveniente do desmatamento ainda serve de combustível para os fornos à lenha usados para secar as folhas do tabaco. Aproximadamente 200 mil hectares de floresta são devastados por ano para a produção de tabaco, de acordo com a Sociedade Americana de Câncer e a subsequente emissão de gases de efeito estufa contribuem para mudança climática.

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