Pesquisa de alunos da UP analisa pólen dos Jardins de Mel

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Um trabalho de conclusão do curso de Ciências Biológicas da Universidade Positivo, em Curitiba, pretende descobrir a qualidade das plantas polinizadas pelas abelhas nativas sem ferrão que vivem no Jardim de Mel do Parque Barigui e ajudar a recompor essas espécies. 

Orientados pela professora de Botânica Dayane May, os alunos Bernardo Domingues e Ana Letícia Lowen, começaram nesta semana a fazer a coleta do pólen nas caixas das cinco espécies de abelhas nativas sem ferrão que ficam no local – jataí, manduri, mirim, mandaçaia e guaraipo. 

“É importante ter esse conhecimento para promover o aumento da biodiversidade”, reforça Dayane, que no futuro, pretende estender a pesquisa. “Esse projeto ainda pode ser ampliado, já que temos outros alunos interessados no tema”, completa.

Para o estudante Bernardo Domingues, que deve terminar seu artigo até o final deste ano, a pesquisa das abelhas nativas possibilita agregar conhecimento a ações nas suas áreas de maior interesse. “A análise é bastante gratificante e nos ajuda a mostrar o valor das espécies nativas. Temos que proteger o que está perto de nós também”, diz.

Jardim de Mel

Embora já houvesse interesse na palinologia (estudo da estrutura do pólen), a implantação do Jardim de Mel em Curitiba foi um incentivo ao início das pesquisas, de acordo com a professora de Botânica da Universidade Positivo. “Não há dúvidas que a notícia da implantação do projeto da Prefeitura tenha sido decisiva”, reconhece.

De acordo com ela, há algumas pesquisas na área, porém elas ainda são bastante escassas, por ser um estudo muito técnico e de metodologia específica. “A diminuição do número de abelhas nativas também é um fator complicador”, diz.

Um contato com o Museu de História Natural do Capão da Imbuia, que conta com dois especialistas em entomologia e caixas de abelhas nativas sem ferrão, foi suficiente para garantir o apoio e o acesso às colmeias. 

Retorno

Trazer de volta as abelhas polinizadoras das plantas nativas é objetivo do projeto implantado pela Prefeitura de Curitiba desde setembro do ano passado. A vitrine do Jardins de Mel fica no Parque Barigui e outras caixas de colmeias de abelhas nativas estão no Jardim das Sensações (Jardim Botânico), Casa de Acantonamento do Zoológico de Curitiba, Bosque Reinhard Maack (Hauer), Museu de História Natural do Capão da Imbuía e Parque Tingui.

Para a aluna Ana Letícia, os benefícios vão além da pesquisa. “Precisamos favorecer e disseminar a vegetação nativa, tão degradada pela ação do homem. Ficamos muito felizes por ter esse tipo de iniciativa em nossa cidade”, afirma. 

Um dos especialistas do Museu de História Natural do Capão da Imbuia e idealizador do projeto, Felipe Thiago de Jesus, avalia positivamente o interesse e a contribuição do Jardins de Mel para a pesquisa. “Ainda tem muito espaço para estudo no campo das abelhas nativas e nós estamos de portas abertas”, comemora.

Fonte: Prefeitura de Curitiba