A Psicologia nas Olimpíadas

Os meios para se conduzir um atleta à sua plenitude física, técnica e psicológica

A psicologia do esporte está ganhando espaço e sendo cada vez mais respeitada na área esportiva. Com os Jogos Olímpicos de 2016 se aproximando, os psicólogos têm a oportunidade de se destacar ainda mais e aumentar seus campos profissionais. A importância da psicologia para atletas é conhecida há bastante tempo, mas só recentemente a eficácia das intervenções está sendo reconhecida.

Nesse tipo de intervenção psicológica, muitos aspectos do esporte devem ser considerados, desde a cultura específica da modalidade até as influências socioculturais imersas na atividade. O principal objetivo é a otimização do rendimento do atleta, com estratégias que conduzem à plenitude física, técnica e psicológica visando à melhora da performance.

“A preparação do jogador é a soma de quatro pilares: físico, técnico, tático e psicológico. Todos devem estar em equilíbrio para que o atleta possa render o máximo possível”, explica Gilberto Gaertner, psicólogo da seleção olímpica de vôlei masculino e professor da Universidade Positivo.

Além dessa, Gaertner já acompanhou outras modalidades, como futebol, karatê e vôlei feminino. “É um grande desafio, pois todos sonham em ganhar uma medalha olímpica no seu próprio país. Então a tensão e a emoção estarão à flor da pele”, relata o psicólogo.

As chaves do vôlei masculino nas Olimpíadas já foram divulgadas: Itália, Estados Unidos, Canadá, França e México são os times que disputarão contra o Brasil. “Portanto, disputaremos com equipes que têm grandes chances de medalha. Não temos margem para erro. A preparação será muito intensa em todos os níveis”, conta Gaertner.

O trabalho é multidisciplinar, e na seleção todos integrantes da comissão técnica são de altíssimo nível. O psicólogo considera que a técnica apenas não basta para o atleta ter um rendimento alto, e que o treinamento mental é fundamental. Afinal, a exigência emocional está incluída em todos os movimentos. “A carga psíquica é muito forte nessas competições. Por isso, existe também o treinamento cognitivo e sistêmico integrado com a área técnica”, explica.

Gaertner explica que a psicologia do esporte trabalha preventivamente. Os atletas são treinados para antecipar pensamentos, situações e possibilidades que podem vir a acontecer durante a competição. Treina-se controle de respiração e meditação para lidar com emoções intensas, como medo, estresse e ansiedade.

O esporte de alto rendimento é terreno fértil para a preocupação com o psicológico dos atletas, uma vez que as condições de trabalho são extremas e sempre se trabalha nos limites das emoções humanas. Com isso, também são envolvidas as particularidades de cada personalidade. O psicólogo da seleção conta que trabalha sempre de forma integrada com a comissão técnica a partir de avaliações individuais, grupais e observações de treinamentos de jogos.

Para cada membro da equipe, existe uma especificidade para gerir ansiedade, agressividade e impulsividade. “Alguns têm a impulsividade muito alta e precisam se equilibrar emocionalmente. Já outros, que são mais contidos, precisam trabalhar a agressividade, até mesmo para atuar com mais intensidade e proatividade dentro da quadra. Mas existe uma regra geral: sempre colocar as emoções a favor deles”, aponta o especialista.

A interação positiva, a confiança e a ajuda mútua são temas fundamentais para o grupo ter bom entrosamento. O psicólogo soma esforços com a comissão técnica para que o comprometimento, o trabalho e o aperfeiçoamento continuado de todos os integrantes da equipe possam fazer a diferença no rendimento da seleção.

É importante destacar que na seleção todos os atletas são de excelência e estão entre os melhores do mundo em suas posições, o trabalho da psicologia do esporte visa contribuir para aperfeiçoar ainda mais suas habilidades e capacidades.

“Nas Olimpíadas, um dos fatores primordiais é o foco. Por isso, tentamos manter distancia de todas as fontes de distração externa. A blindagem da equipe é necessária para que não haja muita exposição e que isso não afete a concentração no momento da competição”, destaca Gaertner.

Como a concentração e atenção são exigidas ao máximo dos jogadores, essas acabam sendo as prioridades no treinamento psicológico. A busca pela excelência em todos os pontos, a otimização das questões técnicas aliadas às emocionais, a coesão do grupo e a consciência de que cada um tem a sua importância para o resultado final são os pilares para alcançarem o objetivo final: uma medalha olímpica.

A Universidade Positivo tem a intenção de lançar, no próximo ano, uma Pós-Graduação em Psicologia do Esporte, com o intuito de capacitar mais psicólogos a atuarem com atletas em modalidades individuais e equipes esportivas.

gilberto

Professor Gilberto Gaertner.


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