Educação para morte – por Solange Wiegand

Artigo escrito pela coordenadora de Cursos Livres Solange Wiegand

Parte do cotidiano de profissionais da Saúde, a morte é um tema importante para ser estudado e trabalhado por psicólogos. Entender a morte e saber conduzir pacientes pelo processo do luto é essencial para quem atua nas mais diversas áreas da Psicologia.

Nas escolas, é necessário que o psicólogo escolar tenha preparação para abordar o tema com crianças e adolescentes. No âmbito familiar, a perda de uma pessoa significativa ou de um animal de estimação demanda cuidados, especialmente com crianças. No contexto organizacional, o psicólogo precisa intervir em situações de morte nos acidentes de trabalho e nas tentativas de suicídio.

Já na prática clínica, o psicólogo precisa estar preparado para identificar processos mórbidos ou autodestrutivos presentes nas atitudes, nem sempre conscientes, de seus pacientes. Nos processos de enlutamento, nas chamadas “pequenas mortes”, como postulado por Kovács (1996), as perdas ou separações de pessoas significativas ou processos de mudança necessitam de acompanhamento psicológico ou de psicoterapia. A atuação junto a idosos é outro campo de trabalho para os psicólogos, pelas dificuldades psíquicas e sociais ligadas ao envelhecimento e pelo fato de estarem, pela idade, mais próximos da morte.

A educação para a morte envolve estudar a possibilidade de desenvolvimento pessoal de maneira integral, no sentido entendido por Jung (1960) como individuação: o desenvolvimento interior que se propõe durante o existir, e que também pressupõe uma preparação para a morte.

É normal que uma pessoa frequente escolas por mais de vinte anos da sua existência, preparando-se para a vida social; da mesma forma, deveria ser normal que as pessoas se preparassem, pelos mesmos vinte anos, para o fim de sua existência. Esse desenvolvimento não precisa ser realizado dentro de casa, no isolamento, mas sim no seio da sociedade. A educação para a morte envolve comunicação, relacionamentos, perdas e situações-limite, nas quais reviravoltas podem ocorrer: fases do desenvolvimento, perda de pessoas significativas, doenças, acidentes e até o confronto com a própria morte.

Então, vem a pergunta: A quem educar para a morte? A resposta é simples: todos devem ser educados, pois todos, sem exceção, são mortais.

 

 

Solange Wiegand é professora de Cursos Livres da UP em Tanatologia – Concepções, Significados e Relatos.


Postado por Betina Dias Ferreira

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