O trabalho do designer Tom Veiga

“Uni a paixão por ondas com o Design e disso nasceu minha arte.”

O artista Tom Veiga nasceu em Curitiba e trabalhou em diversas agências de Publicidade e Propaganda. Porém, em determinado momento de sua vida, o mar o conquistou e hoje se tornou sua maior fonte de inspiração: ele cria obras na chamada surf art.

Sua arte transmite as sensações do vento no mar, o calor do sol e todos os efeitos de um verão na praia. Inclusive, esta é a intenção dele: refletir a visão dos lugares que o fascinam e transmitir a brasilidade tropical em seu trabalho.

Tom Veiga falou à Pós-Graduação da Universidade Positivo sobre suas experiências com a surf art. Confira:

Como descobriu o gosto pelo Design?

Minha paixão pelo Design veio quando comecei a trabalhar em uma editora como diagramador. Via os designers criando tantas coisas lindas e inspiradoras e isso estimulou minha criatividade. Foi quando comecei a investir nesse sonho, e em pouco menos de dois anos estava estagiando na área criativa de uma empresa de tecnologia. Depois, passei a trabalhar em uma agência criativa e migrei para agência digital, na qual trabalhei por anos. Amava trabalhar como diretor de arte de web, mas descobri a surf art – e agora dedico-me exclusivamente a isso.

Por que as ondas?

Minha paixão pelas ondas e o surf surgiu exatamente quando estava em meio à correria dos trabalhos em agência digital em Curitiba e queria ter uma vida mais tranquila. Comecei essa atividade como hobby para me desestressar. Dediquei-me às ondas, pois quando as desenhava sentia-me nelas, sentia-me próximo ao mar. Meu estilo desenvolvendo-se até que o hobby virou carro-chefe e passei a trabalhar com isso. Mas tudo teve início como projeto autoral, uma paixão nas horas de folga para me aproximar do mar. Deu certo: hoje moro na praia e vivo criando ondas. Sempre falo para as pessoas: dediquem-se aos seus hobbys criativos, pois isso pode ganhar força e se tornar seu principal trabalho.

>> Em suas criações, Tom Veiga desenha no papel e depois digitaliza e faz as ondas no computador. Saiba como funciona:

De onde vem a inspiração para desenhar?

A minha paixão pelo mar – grande maravilha que Deus criou – e a diferença entre as ondas de cada parte do mundo são as bases da minha inspiração. Cada onda ao redor do mundo é diferente, é única: tem onda pequena, grande, larga, fina, rápida, mais lenta, azul, verde, quente, fria, para a direita, para a esquerda…. Tem ondas de todas as formas. É essa variedade que me inspira. Procuro refletir ao máximo essas características com o mínimo de traço possível entre curvas e cores. Resumindo: meu trabalho tem objetivo de mostrar as particularidades de cada lugar. A inspiração vem disso.

Como foi o percurso de sua carreira?

É uma longa história. De forma resumida, comecei a trabalhar em editora como diagramador, logo me apaixonei pelo Design, consegui em poucos anos um emprego com criação, depois me apaixonei pelo mundo da internet e migrei para o mundo digital. Em 2009, comecei, nas horas de folga, a criar minhas ondas, minhas artes e desenvolver meu estilo como hobby, mas os projetos começaram a aparecer e fui trabalhando com surf art até 2012, em paralelo com a agência. Mas, em março de 2012, não deu mais para levar as duas coisas. Foi quando saí do mundo das agências para me dedicar integralmente à arte:  mandei trabalhos para mais de 40 países e fiz exposições pelo Brasil, Argentina, França e Espanha, além de assinar projetos no meio do surf. Atualmente, realizo o sonho de morar em Garopaba – SC.

Quais especializações fez?

Eu tenho cursos na área de Design, Publicidade e Propaganda e Marketing, mas boa parte do meu trabalho desenvolveu-se de forma autodidata.

Em quais projetos está envolvido atualmente?

Atualmente, trabalho em conjunto com a Mormaii, criando artes e estampas que são usadas em todos os mix de produtos da marca, e também tenho investido em uma nova série de surf arts. Mas agora uso matéria-prima da região, pois além de ser o paraíso das ondas, Garopaba é uma vila de pesca artesanal. Então, às vezes, os pescadores reformam os barcos, retiram as madeiras velhas e colocam novas no lugar. Eu pego essas madeiras velhas coloridas e as uso com suas próprias cores e texturas. Às vezes madeiras que têm 30 a 60 anos de mar e com uma serra tico-tico construo as minhas ondas.

>> Confira algumas fotos desse trabalho.

Tenho investido nessa nova série e em uma exposição de pranchas pintadas que vou lançar em dezembro. Faço algumas palestras pelo Brasil sobre processo criativo e tenho trabalhado também nas escolas com ações específicas para crianças, para despertar a criatividade nos pequenos usando a surf art como base. É bastante coisa, mas se fazemos o que amamos, a tarefa torna-se simples.
Com quais marcas já trabalhou? E que trabalhos fez com elas?

Tive oportunidade de desenvolver projetos dos quais gostei muito. O primeiro foi a convite da Billabong, da Europa, fui o primeiro artista brasileiro a ser convidado para assinar uma coleção com essa marca internacional. Depois, recebi convite para assinar um projeto com a marca Reef, da Califórnia, por duas coleções seguidas. Fiz a coleção de shapes de cruisers com a marca Globe, também da Califórnia, e no Brasil assinei uma coleção com a Havaianas. Atualmente, trabalho com a Mormaii.

>> Confira alguns projetos.
O que dá mais prazer em seu trabalho?

Poxa, tudo! Eu amo o que faço, então trabalhar me dá prazer em qualquer projeto de que eu participe hoje. Inclusive dar workshops e palestras, pois poder trocar um pouco de experiências e motivar outras pessoas a buscarem seus sonhos é muito gratificante. Hoje vivo do que sonhei, pois há muitos anos persegui isso: trabalhar com surf e morar na praia. Agora tento despertar pessoas a buscarem os seus sonhos também usando ao máximo sua criatividade.

Dê um conselho para os alunos que utilizam a criatividade.

Busquem sempre pesquisar referências em suas áreas de atuação – tudo o que nos inspira precisa fazer parte do nosso dia a dia. Comprem revistas, assistam a documentários, pesquisem sites, vão a eventos, mergulhem em tudo o que traga inspiração, pois isso faz despertar ainda mais a nossa criatividade.

Também invistam em projetos autorais, pois tudo aquilo que é feito fora da sala de aula, fora do ambiente de trabalho, sem prazo briefing e pressão ajuda a despertar nossa identidade criativa. Em projetos autorais, fazemos o que queremos, sem preocupações. Podemos experimentar sem medo, e isso ajuda muito a encontrar caminhos e estilos que no cotidiano de trabalho não podemos. Isso é uma chave que nos ajuda a descobrir nossa linha criativa, o que oferece todo o diferencial no mercado.

Links Tom Veiga:

Site

Instagram

Blog

gv.cdr

 


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