Smart City: o que realmente precisa mudar

Uma cidade inteligente não se faz só de tecnologia – solucionar problemas simples e cotidianos é a primeira e grande mudança

Promover o desenvolvimento da cidade priorizando a qualidade de vida da população é o desafio de muitos governos ao redor do mundo. Por isso, nos últimos anos, surgiram em todo o planeta projetos inovadores para transformar determinadas regiões nas chamadas Smart Cities (“cidades inteligentes”) – conceito que engloba o uso de tecnologia na busca por soluções para situações do dia a dia.

Mas não é só de tecnologia que se faz uma Smart City: planejamento urbano, melhorias sociais, cuidado com áreas ambientais, sustentabilidade e arranjos colaborativos também são fundamentais. Medellín, na Colômbia, por exemplo, recebeu, em 2016, o prêmio Lee Kuan Yew World City, reconhecida como exemplo em termos de inovação e qualidade de vida, sem, no entanto, implementar exclusivamente tecnologia.

Ou seja: a base para a edificação de uma Smart City é a resolução de problemas simples e cotidianos, que afetam diretamente o cidadão. Para Jonny Stica, vereador em Curitiba cuja proposta política valoriza o modelo de cidade inteligente, o desenvolvimento urbano deve impulsionar, entre outros, o setor de serviços, tornando a cidade mais competitiva. “Frequentemente, utilizam-se tecnologias e sistemas de informação para esse fim – inclusive na governança dessas cidades”, afirma.

Copenhague, na Dinamarca, é outro bom exemplo. Considerada uma das cidades mais inteligentes do mundo, essa capital nórdica instituiu campanhas a favor de uma prática sustentável: a exploração de meios de transportes que não poluem o meio ambiente e promovem qualidade de vida. Hoje, a bicicleta, acessível a todos, é a locomotiva mais utilizada pelo povo local, correspondendo a cerca de 50% dos deslocamentos ao trabalho.

“A rede cicloviária em Copenhague tem preferência no planejamento da mobilidade urbana. Por isso, a capital conta com várias vias dedicadas, oferecendo vantagens em todos os aspectos, como o tempo de deslocamento e a segurança dos ciclistas”, avalia Stica. Segundo o vereador, enquanto na Dinamarca a bicicleta é veículo de locomoção prioritário, no Brasil ainda é alternativo.

Por aqui ainda não existe uma Smart City, mas germinam, em vários estados, soluções interessantes. Em Curitiba, por exemplo, o sistema de BRT (Bus Rapid Transit) – ônibus em canaleta exclusiva com paradas em tubos que cobram antecipadamente a tarifa – mudou para melhor a dinâmica na cidade. “O tempo de entrada em cada estação foi reduzido a poucos segundos”.

Stica também destaca o planejamento das vias estruturais, que tornaram Curitiba referência internacional em mobilidade urbana, cujo modelo é copiado em diversos países. Outros projetos específicos contribuem para esse cenário, como a transformação de uma pedreira desativada em parque para shows; a reforma de um paiol de pólvora que passa a servir como teatro; e o acréscimo generoso e permanente no número de metros quadrados de área verde por habitante.

Mas, não se engane! Curitiba ainda está longe de ser considerada uma Smart City. A capital paranaense não tem sequer um córrego ou rio que não esteja bastante poluído e testemunha sérios problemas de trânsito e de segurança. O Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal (ONG mexicana) classificou Curitiba como uma das 50 cidades mais violentas do mundo em 2016.

Ainda assim, outros projetos inovadores fazem do Brasil uma nação que tem investido em soluções para a melhoria das cidades. Em Palmas, no Paraná, desenrolam-se iniciativas de produção de energia eólica e, em São Paulo, de revitalização de favelas. O desenvolvimento de aplicativos de mobilidade compartilhada em várias cidades, entre outras propostas que conquistam a aceitação dos prefeitos, são promessas de um futuro diferente – e mais sustentável.

Para o vereador curitibano, a criação de Smart Cities é uma demanda governamental, que deveria ser considerada e discutida no plano político de todas as cidades. “Isso é fundamental, pois passamos a ter um problema a ser resolvido. Buscando e aplicando soluções, criamos um ambiente de inovação e de oportunidades”, finaliza Stica.

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