T&D – Custo ou investimento? – Por Celso Garcia

Em recente artigo publicado pela Harvard Business Review, a professora Monika Hamori ilustra as práticas relacionadas ao treinamento e desenvolvimento nas organizações à luz da corresponsabilidade entre empregadores e colaboradores. Seu artigo, baseado em sua pesquisa que abrangeu 28 mil profissionais da área de Marketing em 127 diferentes países, apontou que aproximadamente 5% recebeu ajuda financeira de seus empregadores, 8% teve tempo dentro da jornada de trabalho para estudar e 4% teve seu curso incluído nas avaliações de desempenho. Basicamente, a maioria das pessoas foi deixada por conta própria ao buscar se capacitar para o exercício profissional.

Um dos pontos levantados por ela indica que os colaboradores que se sentem reconhecidos e valorizados pelo suporte organizacional são menos propensos a buscar novas oportunidades em outras empresas. Tal fato deve-se também a outros aspectos relacionados ao apoio dado ao desenvolvimento de carreira. A autora ressalta que se nota a correlação, uma vez que, nos profissionais autopatrocinados, comparados aos que recebem financiamento organizacional, a busca por novas oportunidades é duas vezes maior.

As empresas dizem que querem que as pessoas aprendam e cresçam, mas, na prática, estão esvaziando o treinamento, muitas vezes deixando aos indivíduos o gerenciamento de seu próprio desenvolvimento. Nos Estados Unidos, a proporção de pessoas que receberam treinamento financiado pelo empregador diminuiu de 21% em 2001 para 15% em 2009 (os dados mais recentes disponíveis). E os ciclos econômicos não foram culpados: o declínio foi mais pronunciado nos períodos de crescimento do que durante as recessões.

Um colaborador típico, do Marketing ou não, irá trocar de cargo ao menos dez vezes em sua carreira. Logo, deverá adquirir novas habilidades. Mesmo que permaneça dentro da sua atividade, o conteúdo daquilo que ele faz irá mudar drasticamente ao longo do tempo, seja pela presença da tecnologia, seja pela exigência do mercado. Gerenciar as necessidades, apoiar e contribuir na construção de cenários futuros é mais do que um papel de auxílio das organizações: trata-se de uma visionária posição na aquisição e retenção de pessoas de talento, necessária para enfrentar os desafios presentes e futuros para as empresas que querem crescer.

Celso Garcia é coordenador do MBA em Treinamento e Desenvolvimento Organizacional (T&D Estratégico) da Universidade Positivo.

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