Transtorno afetivo bipolar

Um diagnóstico que pode levar até 10 anos

O transtorno bipolar ficou mais conhecido nos últimos anos, provocando comentários os mais variados. No entanto, ainda não foi determinada uma causa para ele. Já se sabe que fatores genéticos e alterações em certas áreas do cérebro e nos níveis de vários neurotransmissores estão envolvidos.

Esse distúrbio é, muitas vezes, confundido somente com uma “mudança de humor drástica”. Mas sua definição vai além: pesquisas apontam que o caso é bem mais grave, havendo tentativas de suicídio em 15% dos casos.

De fato, oscilações de humor são características do transtorno afetivo bipolar, porém é um distúrbio psiquiátrico mais complexo. Identifica-se por alterações patológicas, cognitivas e psimocomotoras, geralmente ligadas a episódios de depressão seguidos pelos de euforia.

O diagnóstico também não é algo simples, chegando a levar até dez anos para ter uma resposta conclusiva da doença, entre inúmeras visitas a médicos especializados. Atualmente, é possível afirmar que a doença transparece, em sua maioria, em pessoas na faixa etária de 15 a 25 anos, independente de sexo, mas já existe a possibilidade de diagnosticar em crianças e adolescentes.

Segundo os manuais internacionais de classificação diagnóstica, é possível dividir a doença em quatro tipos:
Transtorno bipolar tipo I
A pessoa que apresenta esse tipo do distúrbio tem características de depressão que se estendem por mais de duas semanas ou meses e pode apresentar também diversos tipos de manias que duram no mínimo uma semana. Há mudanças comportamentais e de conduta drásticas, o que compromete seus relacionamentos sociais, familiares e afetivos, podendo até prejudicar o desempenho profissional. Em alguns casos, é recomendada a internação hospitalar por risco de suicídio e de segurança das pessoas que convivem com o portador.

Transtorno Bipolar Tipo II
Nesse caso, a depressão se faz presente, contudo o estado de euforia ou agressividade é mais controlado. Pode-se afetar a vida social do portador, porém com menores prejuízos.
Transtorno bipolar não especificado ou misto
Os sintomas são característicos do transtorno bipolar, porém não é possível incluí-los em nenhum dos diagnósticos acima por não ter evidências nem em número nem em tempo de duração do distúrbio.

Transtorno ciclotímico
É um quadro de alteração de humor, entre depressão e alegria excessiva, porém não é estendido por muito tempo, ocorrendo até em um mesmo dia. Apresenta características mais amenas, entendido como um tipo leve do transtorno bipolar, sendo caracterizado por um temperamento instável ou irresponsável.
Uma crise pode ter início inesperado e sumir espontaneamente. Elas podem aparecer com frequência na vida do portador ou algumas poucas vezes. Os sintomas são de intensidades leve, moderada e grave. Todavia, as pessoas que apresentam as crises voltam a viver normalmente em diversos períodos.
Os sentimentos comuns das pessoas que possuem o transtorno são indecisão, avaliação negativa de si mesmo, situações ao seu redor interpretadas de forma pessimista, chegando a ter uma distorção da realidade, além de várias características de depressão.

Em contra ponto, a mesma pessoa que tem os sentimentos negativos em um período, logo no seguinte tem pensamentos distorcidos para o positivo exagerado, uma segurança grande de si mesma, sensação de poder, ausência de medo que levam a correr riscos, como gastar muito dinheiro ou até de morte por falta de percepção do perigo.

Dessa maneira, observa-se que a doença tem caráter crônico, para a qual não existe tratamento. Contudo, pode ser controlada. Por meio de medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida, tais como o fim do consumo de bebidas alcoólicas, com cafeínas e quaisquer tipos de drogas, é possível minimizar os sintomas.


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