Uma cerveja para cada momento, um momento para cada cerveja

Os consumidores estão aprendendo a degustar bebidas artesanais e diferenciadas

O brasileiro tem o hábito de tomar uma cervejinha. No verão, a “loira gelada” acompanha a mesa de muitos, mas o que vem chamando a atenção é que o gosto do consumidor está mais refinado, e a curiosidade para conhecer diferentes rótulos, mais comum.

Os Estados Unidos são o principal consumidor de cerveja do mundo, e, até os anos 1990, a variedade Pilsen era a preferência dos americanos. Porém, nos últimos anos, foi perceptível o interesse do consumidor por microcervejarias artesanais. O setor corresponde a mais de 100 mil empregos no país, 6,5% do mercado em volume e 10,2% em faturamento, segundo apontou a revista Istoé.

Já o Brasil é o terceiro maior mercado de cervejas no mundo, segundo matéria da revista Exame, com 13 bilhões de litros de bebidas consumidos em 2015 no país. O setor cervejeiro movimenta mais de 55 bilhões de reais por ano.

No Brasil, o setor de cervejas especiais, de acordo com a pesquisa da Cervesia, possui 4,5% do mercado e crescimento de 15% ao ano. “No último ano, o mercado das cervejas artesanais no Brasil cresceu cerca de 30%. Cada vez mais, pessoas estão entrando nesse mercado, tanto como consumidores como investidores, pois os anos de crise que o país vem passando fizeram com que muitos novos negócios surgissem no ramo das cervejas especiais”, explica Henrique Cruz, sommelier e professor de Cursos Livres da Universidade Positivo.

Apesar do crescimento, esse mercado está apenas começando a se expandir e ainda necessita de muitos profissionais para ter uma representatividade nacional. “O consumidor de cervejas especiais hoje é um entusiasta do meio, uma vez que o mercado brasileiro começou a ter uma certa significância há menos de cinco anos. Tudo é muito novo, existem poucos profissionais realmente capacitados para a demanda que está surgindo”, conta Cruz.

A trajetória ascendente desse ramo tem gerado oportunidades para os empreendedores. Muitas microcervejarias estão crescendo exponencialmente e são vistas como uma possibilidade de reversão na tendência de concentração de renda gerada na indústria cervejeira. Mas o sommelier Henrique Cruz alerta: “A grande indústria tem diversos benefícios fiscais. Seria importante uma redução nas taxas para que as microcervejarias consigam um preço mais competitivo”.

Enquanto isso, as cervejas artesanais possuem preços mais elevados, uma vez que precisam de custos altos para a produção, e usam esse argumento como uma estratégia de diferenciação. Entretanto, os consumidores não parecem ligar. “Pago mais caro para ter um produto de qualidade, não me importo. Mas também deixo as cervejas especiais para os momentos mais especiais”, comenta Bruno Correia, apreciador da bebida.


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